sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Letramento

“A leitura do mundo precede a leitura da palavra.”

Essa frase de Paulo Freire, se bem interpretada, nos dá respostas a muitas perguntas sobre letramento. Entre elas:
1. O que é letramento?
É a leitura do mundo sugerida por Paulo Freire. Leitura esta que pode ser expandida à medida que vamos adquirindo conhecimentos sobre a língua e, principalmente, quando demonstramos saber usar esses conhecimentos a nosso favor na vida cotidiana.
2. Qual a diferença entre letramento e alfabetização?
Ainda retomando a fala do grande mestre, a alfabetização é um nível do letramento onde ocorre a aquisição da escrita, visto que “a leitura do mundo(o letramento) precede a leitura da escrita.
3. Em que momento estou agindo como um professor-letrador?
A partir do momento em que tomo consciência dessa “leitura do mundo” que o aluno já traz e lhe proporciono sua ampliação.

Compartilhando experiência

Compartilhando experiência

Descobri uma forma gostosa de trabalhar predicação e complemento verbal. Pedi aos alunos da 7a série que levassem jornais para sala de aula e recortassem as manchetes que formavam oração absoluta. Pedi que separassem o sujeito do predicado e analisassem o verbo. Para fazer essa análise, pedi a eles que lessem a manchete somente até chegar no verbo e observassem se o sentido estaria completo. Num segundo momento, analisamos o que vinha depois do verbo; se estava completando seu sentido como alvo da ação verbal ou como circunstância de tempo, modo, lugar, etc. Foi uma aula muito gostosa em que percebi o envolvimento dos alunos. No momento da avaliação, eles disseram que suas dúvidas sobre o assunto tinham sido sanadas.

Aproveitando a idéia do jornal, levei para a sala de aula da 6a série algumas manchetes de jornal e pedi a eles que, em duplas, identificassem o verbo. Entreguei a cada dupla uma folha branca e pedi que dividissem-nas em quatro, no sentido do comprimento. Levei também um cartaz com uma tabela bem grande, constando: pessoa, tempo modo, radical e desinência. Cada dupla deveria copiar seu verbo na tira de papel quatro vezes e colar no local correspondente à pessoa verbal, ao tempo, ao modo, ao radical e terminação. No final, perguntei por que predominava a 3a pessoa do presente do indicativo nas manchetes de jornal e eles conseguiram responder tranquilamente.

Os textos do gênero “memórias” são excelentes para trabalharmos os pretéritos do modo indicativo, principalmente o imperfeito.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

VARIAÇÃO LINGUÍSTICA

Avaliar velhos hábitos, transformá-los ou deixá-los de lado é tarefa difícil, talvez amarga, mas necessária. Quem nunca lhou com maus olhos para um vendedor que, ao informar o preço de um produto, diz: "É dé real, mais vareia, depende do tanto que o fregueis levá."? Vamos! Seja sincero! Pode responder que sim. Esse velho hábito de julgar a pessoa pela maneira como ela fala há muito nos acompanha, está em nós enraizado, faz parte de um processo cultural, passado de geração em geração. Da mesma forma que tivemos professores que corrigiam a nossa fala o tempo todo, também nós nos sentimos tentados a fazê-lo. Mas eis que surge a sociolinguística __ palavrinha mágica que veio para quebrar, ou porque não dizer, desmascarar esse velho costume que muitos insistem em negar, ou às vezes nem sabem que é errado praticar.
Segundo Marcos Bagno, para a sociolinguística é praticamente impossível falar sobre a língua de modo geral e abstrato: é preciso sempre levar em consideração as pessoas que falam essa língua, pessoas sempre inseridas em grupos sociais. O que nos leva a reflertir sobre a seguinte questão: Se a sociedade na qual o indivíduo está inserido não é homogênea, por que a língua teria que ser?
Devemos nos conscientizar e conscientizar as pessoas com as quais convivemos de que a variação linguística existe e apresenta consequências sociais. Porque pessoas que falam "bem" e "bonito" são bem aceitas pela sociedade, têm prestígio, enquanto que aquelas que não falam de acordo com a gramática padrão recebem uma avaliação negativa, chegando a serem taxadas de pouco inteligentes. Mas se analisarmos quem é que fala "mal" e quem é que fala "bem", perceberemos que não é a língua que está sendo avaliada, mas sim a pessoa que está usando a língua daquele modo. Perceberemos também que o resultado desse julgamento é o preconceito linguístico que, como toda forma de preconceito, é covardemente mascarado.
Alertar a todos que o preconceito linguístico existe e que deve ser evitado é papel da escola e não somente do professor de Português, porque as situações de comunicação ocorrem o tempo todo e em todo lugar. E esse papel da escola só será bem desempenhado quando os profissionais que nela atuam tiverem consciência da existência da variação linguística.
RELATO DE EXPERIÊNCIA
Ao compartilhar esse texto com os colegas da escola, em coordenação coletiva, pude perceber que alguns professores não aceitam que devemos respeitar o jeito de falar do aluno. Alguns afirmam: "A escola é um ambiente de aprendizagem, não devemos permitir que o aluno fale errado."